Vida profissional

O mito do desemprego baixo

13 de abril de 2015

Leia em 2 minutos

carteira-de-trabalhoEis que foi anunciado que o desemprego no Brasil caiu em 2014: a média do ano seria de 4,8% (no site do IBGE o mês de dezembro aparece com 4,3%). Um dado que causa estranheza justamente no ano em que o CAGED registrou a menor geração de emprego da história recente do país.

Os dados são aqueles levantados pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE. Aí começam os problemas. O número é diferente, por exemplo, do número do DIEESE por questões de metodologia. Não temos os números do DIEESE para 2014, mas a título de comparação, enquanto em 2013 o IBGE apontava um desemprego de 4,3%, o DIEESE apontava um desemprego da ordem de 10,3%.

Outro problema compartilhado tanto pelo DIEESE quanto pelo IBGE: a amostra não é brasileira, mas “semi-brasileira”. Explico. O IBGE considera apenas as regiões metropolitanas de Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre. O DIEESE possui quase a mesma configuração amostral do IBGE, com a exceção de que exclui Rio de Janeiro e inclui Fortaleza.

Perceberam que duas regiões ficam completamente fora da amostra: Norte e Centro-Oeste? Para completar, o interior do país não é pesquisado e, suponho, as áreas metropolitanas possuem um nível de emprego maior que os rincões do país devido a maior atividade econômica.

A metodologia do IBGE também possui “ajustes” estranhos, pois expurga muita gente (quem recebe bolsa família ou quem trabalha sem remuneração ou ainda quem trabalhou pelo menos uma vez nos últimos 365 dias). Isso faz com que o indicador caia, a meu ver, artificialmente. Para ver os problemas da metodologia recomendo o artigo de Leandro Roque de 30/11/2012 (A taxa real de desemprego no Brasil). Fazendo os ajustes propostos por ele, o índice de desemprego no Brasil em dez/14, a partir dos dados do próprio IBGE são de 15,72%. Ou seja, mais do que 3 vezes o usado pelo governo!

E observe que nem estou entrando no mérito da qualidade do emprego gerado (a indústria, onde estão os maiores salários está desempregando).

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