Cristianismo

Sermão expositivo ou temático?

13 de abril de 2015

Leia em 5 minutos

microfone-sermaoNão sou um especialista em homilética nem pastor ou líder de qualquer igreja ou comunidade cristã. Sou apenas um cristão leigo que deseja contribuir um pouco e ajudar outros por meio de breves reflexões, estudos, dicas e indicações de leitura. Portanto é mais como ouvinte da Palavra (Romanos 10:17) que como pregador que coloco minha opinião nas linhas abaixo. Em primeiro lugar, é preciso classificar os tipos de sermões ou pregações que se escutam na igreja para depois tratar das vantagens e desvantagens de cada um.

Os tipos de pregação

A classificação que conheço divide os sermões em três tipos: temático, textual e expositivo.

O sermão temático é definido pelo tema (por mais óbvio que pareça, é importante que se diga). As ilustrações, observações e a escolha das passagens bíblicas servem ao tema. Usa de uma abordagem próxima de teologia sistemática. O sermão textual usa um trecho bíblico e aponta para um assunto a partir deste texto. O assunto surge do texto, e não o contrário. O sermão expositivo também parte de um texto bíblico e o explora para que ele ensine a congregação.

Nunca entendi perfeitamente a diferença entre um sermão textual e um expositivo. Parece-me que um sermão expositivo diferencia-se de um textual pela profundidade com que analisa o texto, abordando questões como línguas originais, contexto histórico, geográfico e referência de outros autores, livros ou períodos bíblicos que possam elucidar o que aquela passagem quer ensinar e como ela pode ser aplicada em nossa vida. Por este motivo, classificaremos os sermões em dois grupos: temáticos e expositivos, sendo o chamado sermão textual um subconjunto do segundo grupo.

Vantagens e desvantagens

Eu tenho preferência pelo sermão expositivo exatamente porque ele parte da Escritura para o ensino. O sermão expositivo pergunta “O que podemos aprender deste trecho bíblico?”. É como se aquilo que o Senhor quisesse dizer ao seu povo emanasse diretamente de suas páginas, e assim o cremos.

Cada livro possui um contexto histórico específico, um autor diferente, uma linha de raciocínio e uma visão de mundo particular. A meu ver, a pregação expositiva tende a explorar melhor essas características. As chances de um sermão temático “forçar” os versos para se encaixar em um determinado tema ou, mais perigosamente, no pensamento específico do pregador é grande. Entretanto, há sempre o risco de um sermão expositivo não trazer “aquela” mensagem que a congregação mais precisa, mas se confiamos no Espírito Santo (e confiamos!) e a congregação e seu pastor estão buscando a orientação de Deus, o sermão alimentará espiritualmente a comunidade e falará ao coração das pessoas. A Palavra de Deus não volta para Ele vazia (Isaías 55:11).

O sermão temático, por sua, vez, oferece a oportunidade de tratar um tema específico e pode restringir melhor o assunto que se propõe tratar. Ele pergunta: “O que a Bíblia tem a dizer sobre este assunto?”. São bons quando se sabe de uma demanda específica da congregação, quando um tema precisa ser abordado.

Porém, bons sermões temáticos são muito trabalhosos. Para abordar aquele tema de maneira bastante completa e minimizar o risco de dizer algo que a Bíblia não diz deve-se usar muitas (mas muitas mesmo) passagens bíblicas. Ao preparar o sermão e fazer a seleção dos textos de forma criteriosa e fiel à Palavra e à mensagem, deve-se tentar ser exaustivo na pesquisa dos textos bíblicos, evitando sempre criar uma colcha de retalhos com versos que não se conectam muito bem. Uma boa enciclopédia temática, comentário bíblico ou Bíblia tópica (eu uso a Bíblia Thompson) são instrumentos muito úteis nesta busca. Se não estivéssemos no tempo da internet também recomendaria uma concordância, mas basta acessar sites de consulta online da Bíblia e buscar termos relacionados ao tema.

Em suma, é importante ressaltar que, independente de qual tipo de sermão seja escolhido, preparação é fundamental.

Imagem: Berean Baptist Church

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