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8,89% de inflação é um número real?

12 de julho de 2015

Leia em 5 minutos

inflacaoA manchete  diz que a inflação oficial atinge 8,89% nos últimos 12 meses. Atenção para o termo “oficial”. A inflação oficial pode não ser (e aposto que não é) a sua. Este resultado é medido pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).

Por que ele não é o seu índice?

Em primeiro lugar porque ele é uma média apurada por um levantamento amostral nas regiões metropolitanas de Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre, Brasília e município de Goiânia. Ou seja, se você mora fora de alguma dessas áreas, pode ser que o índice não aponte precisamente a variação de sua cidade.

Contudo, esta é uma metodologia estatística e pode ser que, julgados os critérios técnicos corretamente, esta amostra seja representativa dos preços no Brasil. Ainda que não se possa individualizar o índice.

A segunda dificuldade para você tomar esse índice como sendo seu é o fato de ele não ser o único apurado no Brasil. Além do IPCA temos muitos outros, sendo os mais famosos depois deste o IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado) e o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor). O IGP-M é velho conhecido de quem aluga um imóvel e tem o principal foco de monitorar os preços de produtos no atacado e como índice de reajuste das tarifas de energia elétrica. No caso do INPC, o peso da cesta leva em consideração famílias que recebem de 1 a 5 salários mínimos. Tanto INPC quanto IPCA são apurados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O IGP-M é apurado pela FGV (Fundação Getúlio Vargas). Ou seja, pode ser que um outro índice reflita melhor a variação dos preços na sua casa.

Terceiro e último fato é que o IPCA se baseia em uma cesta de consumo de acordo com uma média apurada na Pesquisa de Orçamentos Familiares (tabela abaixo). Esta cesta pode até se aproximar de seus gastos médios, caro leitor, mas certamente um ou outro peso será diferente para o seu caso particular. Por exemplo, um solteiro muito bem remunerado que mora no Rio de Janeiro de aluguel, certamente terá o item “habitação” com um peso superior ao item “Alimentação e bebidas”. Um aposentado que receba de 1 a 2 salários mínimos e que mora em uma casa própria já quitada, terá um peso muito menor do item “habitação” que do item “Alimentação e bebidas” ou mesmo “Saúde e cuidados pessoais”. Uma mulher talvez tenha um peso maior no item “Vestuário” que um homem.

ipca_cesta

No fim das contas o que queremos dizer é que esta cesta é fictícia para a esmagadora maioria da população brasileira. A depender do seu perfil de consumo, a inflação que você sentirá no seu dia-a-dia será maior ou menor que 8,89%, a inflação oficial.

O que fazer então?

Você não precisa ficar no escuro. Algumas estratégias podem ser adotadas para você saber, caso deseje, qual o seu índice inflacionário.

  1. Controle o que você gasta, como você gasta e quanto você gasta. Pode usar uma planilha, um aplicativo de celular ou um caderno de anotações. Fique com aquilo que se sentir mais à vontade.
  2. Defina seu perfil de consumo estabelecendo um orçamento proporcional com seu estilo de vida. Se você é solteiro, talvez deseje reservar mais de seu salário para viagens e lazer. Se é pai ou mãe, talvez deva reservar mais de seu dinheiro para habitação e educação.
  3. Com base no seu controle, compare o que você gastou e como gastou de um mês para o outro e de um ano para o outro. De repente em um ano, suas despesas variaram mais ou menos que a inflação oficial.

O IPCA é válido para o governo e útil para balizar índices médios e políticas do governo, apesar do descontrole atual do governo federal (c.f. não deveria passar de 6,5%). O mais importante é que você deve monitorar seu orçamento doméstico. Não é possível manter uma disciplina financeira adequada sem controle. Apurar o “seu índice” inflacionário, pode ser simplesmente um plus.

Boa semana.

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