Cristianismo

Confissão – falando do pecado

20 de setembro de 2015

Leia em 5 minutos

perdaoO salmo 32 traz algumas lições bastante interessantes para nós, pecadores. O salmista derrama sua angústia, seu pranto, seu lamento diante de Deus. É um salmo de choro, de confissão, mas também de reconciliação, de perdão e paz de espírito. O Salmo começa falando de alegria e termina falando de alegria.

“Enquanto eu mantinha escondidos os meus pecados, o meu corpo definhava de tanto gemer (…) Então reconheci diante de ti o meu pecado e não encobri as minhas culpas. Eu disse: ‘Confessarei as minhas transgressões ao Senhor’, e tu perdoaste a culpa do meu pecado”
Salmo 32:3, 5

A felicidade está em ter o pecado perdoado e apagado, não ter culpa diante de Deus e não ser hipócrita. Esconder os erros e as transgressões faz o corpo enfraquecer física e emocionalmente – talvez apresentar até algum nível de somatização.

Ao lamentar, o salmista deixa claro que sua angústia tem origem no pecado que não foi confessado. O fardo pesado que carrega são suas transgressões e por causa delas sente-se velho, cansado e abatido, como se a mão do próprio Deus estivesse sobre ele.

O livramento desta situação desconfortável vem quando ele reconhece seu pecado no coração. Em Deus ele acha abrigo e a certeza de que o Senhor o preserva em momentos de angústia.

Alguém pode então perguntar: não há pessoas que convivem bem com o pecado e não sentem qualquer desconforto com sua iniquidade? Certamente  há, mas esse não é o caso do salmista. O autor do Salmo 32 é alguém que possui sensibilidade para perceber o caráter de Deus.

A necessidade de confissão somente surge quando o pecador percebe seu pecado. O perdão está diretamente ligado a confissão. Confessar para quem? Para o Senhor (v.5). É este ato que provoca a proteção de Deus contra “as muitas águas” (v.6) e transforma Deus em nosso refúgio. As “muitas águas” aqui podem dar a impressão de que seremos libertos de todo e quaisquer tipos de problemas. Seremos libertos da culpa, da angústia, do corpo que definha, do abalo emocional de uma vida de pecado. A vida dos cristãos pode ter dificuldades, mas no Senhor o fardo é suave e leve. Com Cristo fica mais fácil enfrentar essas dificuldades, pois a certeza do perdão nos traz paz.

De fato, Deus é nosso refúgio e por isso não seremos atingidos pelas muitas águas. É a confissão, o reconhecimento do pecado, que permite que sejamos instruídos e aconselhados pelo Senhor (v.8). Em outras palavras, é apenas quando reconhecemos nosso estado de pecaminosidade, nosso estado enquanto transgressores, que o Senhor pode nos livrar (canções de livramento – v.7) do pecado e da angústia que ele provoca.

Nos versos 8 e 9 é o Senhor quem fala. É como se Ele dissesse: “Cala-te e me escuta”. No verso 8, Deus nos promete:

  • instruir (ou seja, Ele vai dizer o que fazer);
  • ensinar o caminho (como fazer);
  • aconselhar (nos dar conselhos quando estivermos em dúvida);
  • cuidar de nós (seu cuidado é o porquê de Ele nos instruir, ensinar e aconselhar).

No verso 9 o Senhor nos diz que não devemos ser como animais que precisam o tempo todo de reprimendas, correções e muros. Somos mais inteligentes que isso. Deus apela ao nosso entendimento.

Ele dá o livramento e cuida do futuro.

A “bondade do Senhor protege quem nEle confia” v. 10

Ser considerado justo e reto de coração diante de Deus (v.11) não é não ter pecado. É confessá-lo e reconhecê-lo diante de Deus.

Portanto, reconhecer diante de Deus nossos erros e limitações implica também em mudar de rumo e colocar-se nas mãos do Senhor para Ele fazer conosco o que bem quiser. A paz de espírito que o salmista tanto busca não está nele, mas no Senhor. Devemos desenvolver uma rotina de confissão e de pedir perdão, não apenas às pessoas que ofendemos, mas sobretudo a Deus. Confessar diante de Deus nossos pecados é torná-lo nosso amigo e assim nos reconciliar com Ele para, então, encontrar alegria, paz, refúgio e refrigério.

“Quem perdoa a transgressão busca a amizade, mas quem traz o assunto de volta afasta os amigos íntimos” Provérbios 17:9 (Tradução Almeida Século 21).

Imagem: Flickr

Veja também

Seja o primeiro a comentar

Comente aqui