Cristianismo, Vida profissional

Por que as pessoas acreditam em coisas estranhas e o que fazer para evitar

10 de janeiro de 2016

Leia em 6 minutos

verdade-e-mentiraQuando li o texto Why People Believe Weird Things and 8 Ways to Change Their Minds senti que devia trazer o conteúdo do texto aos leitores deste blog. De fato, é muito esquisito como algumas crenças se proliferam completamente desconectadas dos fatos ou, no mínimo, interpretando-os de maneira distorcida.

O autor do texto original cita quatro locais que costumam originar informações erradas (e nós acrescentamos mais uma). Em seguida, explica porque as pessoas tendem a acreditar em coisas, no mínimo, esquisitas.

Por fim, ele apresenta oito técnicas psicológicas para evitar ser enganado. Advertem os autores: colocá-las em prática é difícil.

As quatro (+1) fontes de informações erradas ou mentiras

 

  • Boatos e ficção: uma novela ou uma literatura qualquer, por exemplo, costumam espalhar versões de fatos passados, presentes ou futuros que se proliferam como rastilho de pólvora. O “telefone sem fio” também pode ser veículo que distorce de informações.
  • Políticos: quaisquer figuras de autoridade podem expor, intencionalmente ou não, informações imprecisas. Nunca vimos políticos espalharem inverdades em campanhas recentes no Brasil, não é mesmo?
  • A mídia: ora por despreparo ora por má-fé, aquela que deveria tratar com maior responsabilidade a informação é justamente a que nos apresenta fatos distorcidos ou incompletos, isso quando nos apresentam.
  • A internet: ah! a internet! Uma fonte tão grande de informações, mas tão grande, que mitos e boatos se proliferam através dela com velocidade impressionante. As redes sociais, em especial, ampliaram absurdamente o alcance de erros e mentiras.
  • O meio social (fonte acrescentada por este blog): seus amigos, família, igreja ou pessoas com quem você convive no trabalho podem ter versões de fatos passados, presentes e futuros que contradizem a realidade. Podem ser crenças tão fortes e tão impregnadas na mente, nas emoções e no comportamento que causa desconforto pensar que elas podem, de alguma maneira, estar erradas.

Por que as pessoas acreditam?

 

  • Parece o certo: se aquele que recebe a informação já está predisposto a acreditar naquela versão, é mais fácil aceitar o fato como sendo verdade. Pensam: “bom, eu já acredito nisso, então deve ser verdade”. É o que poderíamos chamar de viés de confirmação, ou seja, uma força muito pessoal que nos impulsiona a ouvir e aceitar aquilo que já acreditamos, e assim confirmar o que já é crido, e a rejeitar fatos e argumentos que nos contradizem.
  • Faz sentido: Se uma versão é bem contada, com um roteiro que faz sentido, as pessoas tendem a acreditar, a despeito dos fatos. Quando a mentira ou o erro é exposto de maneira simples fica ainda mais crível. Coisas complexas, ainda que possam estar corretas, tendem a despertar a desconfiança das pessoas.
  • A fonte é confiável: o poder da autoridade explica porque (algumas) pessoas tendem a acreditar em informações passadas por políticos, cientistas ou mesmo pai ou mãe.
  • Muitas outras pessoas acreditam: se a maioria das pessoas acredita naquilo (ou pelo menos a maioria das pessoas com quem se convive) então deve ser verdade. Isto pode ser chamado também de “efeito manada” e é justificável também porque as pessoas geralmente se sentem desconfortáveis em estar sozinhos na multidão.

Como combater o erro ou a mentira

 

  1. Não apenas mostre o erro ou a mentira, apresente a verdade e o porquê de ela ser assim. Dizer apenas “isto está errado” não é suficiente. É necessário que uma versão alternativa seja apresentada.
  2. Dê a informação correta de maneira simples, direta. Lembre-se do que já escrevemos: coisas complexas tendem a despertar a desconfiança das pessoas.
  3. Quando apresentar os fatos, não fique repetindo o mito diversas vezes. Ou seja, não rememore ao seu interlocutor a mentira.
  4. Ainda que você não deva repetir várias vezes a versão errada, não quer dizer que você não precisa falar minimamente sobre ela. Fale sobre o mito (a mentira, o erro) apenas uma vez para situar seu interlocutor sobre o que você está expondo.
  5. Fatos, fatos e mais fatos. Uma vez esclarecida a posição, apresente os fatos que demonstrem e embasem a proposição verdadeira. Repita sempre os fatos, mostrando a verdade.
  6. Ataque a fonte. Mostre o tipo de informação que tem aquele que espalha a inverdade, sobre quais fundamentos ele defende o mito que você está tentando desconstruir, e mostre se ele tem alguma agenda oculta ou se encobre algum fato.
  7. Seja razoável com o ponto de vista de seu interlocutor. Você não quer desconstruir tudo que ele acredita, mas apenas um determinado mito. Portanto, tente deixar claro que o solo onde vocês pisam tem alguma coisa em comum. “Você tem que ir longe o bastante para reforçar seu argumento, mas não tão longe que afaste as pessoas”.
  8. Cuide da identidade do seu interlocutor. Leve em consideração, e demonstre, que você sabe que aquela crença ou ideia pode envolver coisas como família, amigos e ideais. É preciso asseverar que essa identidade é importante e você está levando isso em consideração. Portanto, evite palavrões e ofensas pessoais. As pessoas não gostam de interagir e discutir com quem não demonstra respeito pelo que pensam e são.

Todos temos de ser cautelosos e nos abrir para a possibilidade de nós mesmos estarmos errados. Não devemos assumir uma postura de “donos da verdade” e necessitamos sempre estar abertos para o contraditório. Afinal, se você precisa esclarecer alguém em um determinado momento, aceite que em outros é você quem deverá ter as ideias esclarecidas.

Imagem: Catholicus

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