Saúde

O mito das oito horas de sono

17 de abril de 2016

Leia em 2 minutos

bebe-dormindoA reportagem da BBC é de fevereiro de 2012, mas ainda continua atual. Stephanie Hegarty detalha evidências de que talvez nosso melhor padrão de sono seja diferente do que nos acostumamos ouvir dos médicos: “você deve dormir 8 horas por dia”.

No início dos anos 90 um estudo coordenado pelo psiquiatra Thomas Wehr identificou  que indivíduos expostos por cerca de um mês a ambientes com 14 horas de escuridão desenvolveram um padrão de sono onde eles dormiam 4 horas, acordavam, e voltavam a dormir cerca de 2 horas depois um segundo ciclo de outras 4 horas.

Adicionalmente, uma revisão bibliográfica levada adiante pelo historiador Dr. Roger Ekirch identificou documentos históricos que relatam que antigamente (particularmente até final do século 19) as pessoas tinham dois períodos de sono a noite. Durante o intervalo liam, conversavam, iam ao banheiro, faziam orações ou outras atividades. De fato, um manual médico do século 16 recomendava que seria mais adequado envolver-se na prática sexual neste intervalo que após chegar do trabalho, quando o corpo estaria cansado pelo esforço físico despendido na atividade laboral.

A reportagem dá conta de que os hábitos de sono começaram a ser modificados em virtude da ascensão da luz elétrica no séc. 17 que fez com que as pessoas criassem hábitos de lazer noturnos ou trabalhassem após o crepúsculo. Antes relegada a bêbados, prostitutas e criminosos, a noite passou a fazer parte da rotina de pessoas mais respeitadas na sociedade.

Uma hipótese levantada pelos doutores citados na reportagem é que este intervalo foi um mecanismo desenvolvido pela nossa própria fisiologia para regular o estresse. Nossa sociedade, portanto estaria mais sujeita ao estresse e outras doenças psicológicas, em parte, por causa desta disfunção no sono.

Não é coincidência que, nos dias de hoje, tenha aumentado o número de pessoas que reportam ansiedade, estresse, depressão, alcoolismo e abuso de drogas.

Dormir 8 horas por dia ininterruptamente pode não ser natural. Talvez resgatar o antigo hábito do “sono intervalado” nos ajude a melhorar nosso estresse e qualidade de vida.

Imagem: Minoru Nitta (flickr.com)

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