Política, Vida profissional

O número de ministérios não diminui custos – Span of Control

12 de junho de 2016

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Antes de assumir, falou-se muito que uma das maneiras do governo interino Michel Temer reduzir custos seria cortar o número de ministérios. A simples redução no número de ministros não elimina gastos da máquina pública automaticamente, mas ela é necessária por outros motivos: o chamado “span of control”.

Span of Control é um termo que pode ser definido como “o número de subordinados que diretamente se reportam a um líder ou gerente” (Forbes). Span pode ser traduzido como “espaço”, “amplitude”, “vão”. Logo, Span of Control seria algo como “amplitude de controle”. Durante a história dos estudos organizacionais, estes números variaram entre 6 e 25. Ou seja, em algum momento se acreditou que um gerente não deveria ter mais que seis subordinados.

A princípio, quanto mais subordinados um gerente tem mais relatórios ele recebe e, quanto mais informações ele recebe, mais desnorteado ele pode ficar. Portanto, tentar encontrar o número ideal de subordinados é buscar a quantidade ótima de reports recebidos a ponto de não se ter menos informação que a necessária, tampouco não obter mais informação do que se possa absorver. Otimizar a tomada de decisão, é portanto, o motivo primordial de um span of control adequado.

Qual o span adequado, portanto?

Ele varia de acordo com a organização e de acordo com o setor em que se está inserido (The Economist). No caso de Governos, vale lembrar que a campanha de Aécio Neves de 2014 mencionava um estudo da Universidade de Cornell que identificou que países com cerca de 19 a 22 ministérios eram mais eficientes1. Coincidência ou não, Temer reduziu sua quantidade de ministérios para 23. Com 39 subordinados, Dilma sequer conversava com alguns deles.

"Fala mais alto que daqui eu não te escuto"

“Fala mais alto que daqui eu não te escuto”

A redução de ministérios objetiva, portanto, controlar melhor a máquina pública e conseguir mais eficiência do Estado. A eliminação direta de custos é marginal uma vez que os compromissos e atribuições estão mantidos: nenhum projeto foi parado, nenhuma lei foi alterada e nenhuma obrigação extinta porque um ministério deixou de existir ou mudou de status. Essas mudanças podem até acontecer no médio e longo prazo, como efeito de melhores informações chegando à Presidência da República e consequente identificação de ineficiências, mas não há uma relação direta.

É fundamental uma quantidade de ministros que permita a eficiente delegação e o report de informações claras, concisas e diretas. Redução coerente e eficaz de gastos públicos sem eficiência ministerial jamais será possível.

1 Merval Pereira, O limite da ineficiênciaG1, entrevista de Aécio Neves em 2014. Peter Klimek, Rudolf Hanel, Stefan Thurner, To how many politicians should government be left?

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