Cristianismo, Negócios, Política

Aprenda a ler além da manchete

10 de julho de 2016

Leia em 4 minutos

leia além da mancheteManchete é o título em letras garrafais de qualquer notícia de jornal. Ela pretende ser um resumo daquilo que a notícia trata e, assim, trazer em poucas palavras o cerne daquilo que se quer noticiar. Ela serve de isca para leitor ver a matéria ou comprar o veículo. Torna-se, portanto, uma simplificação do conteúdo e, se não for bem feita, revela-se uma distorção.

O jornalista William Waack, âncora do Jornal da Globo e do programa Globo News Painel, costuma dizer que “jornalista tem o vício de manchetar”. Em virtude de meu background cristão, sou um pouco vacinado contra interpolações. Cortes, interrupções e descontextualizações são muito comuns na escrita daqueles que criticam a Bíblia e as crenças cristãs.

Há pessoas que têm plena certeza sobre assuntos acerca dos quais têm o mais completo desconhecimento.

Informar-se ao máximo possível é sempre fundamental, mas é necessário fugir das simplificações grosseiras. De fato, poucas pessoas recorrem a fonte original. Muitas se apressam a divulgar “fatos” e notícias incompletos e distorcidos como se verdade fossem. Em tempos de redes sociais, informações imprecisas se espalham rapidamente: o “não-fato” vira “verdade”, uma distorção se propaga e desmontar aquilo é muito complicado.

O que fazer então?

É óbvio que é preferível a informação à não-informação. O cuidado deve estar com o leitor e censurar a imprensa não é uma boa opção. A liberdade de imprensa é inegociável.

Em primeiro lugar recomendo, portanto, a cautela. Nunca espalhe um conteúdo lendo a manchete sem ler a matéria completa. Leia o texto e tente compreender o que está sendo dito. Termos que lhe parecem obscuros devem ser esclarecidos.

Tente também ver mais de uma fonte – por vezes fatos são noticiados em mais de um jornal. Tanto quanto possível busque a fonte original: procure os termos entre aspas na reportagem – veja se o que o jornalista afirmou como sua interpretação mantém coerência com a afirmação original. Se possível, veja a íntegra das falas, discursos e, em tempos de Youtube, os vídeos. Às vezes o tom de voz e os gestos traduzem melhor o que foi dito do que a fala escrita ou a reinterpretação de um jornalista.

Por fim, um alerta: virou modinha criticar a “grande mídia”. Essas críticas geralmente partem da… “pequena mídia” ou de pessoas que tem um apreço especial pela censura. Quem critica os grandes veículos de comunicação costuma ser aquele que gostaria de ser, ele próprio, a “grande mídia” ou de ter o monopólio da informação.

Ainda que veículos como Folha, Globo, Estadão, Veja, Isto É e outros veículos de grande circulação tenham suas agendas e interesses (não quero ser uma Poliana aqui), eles possuem uma reputação e um público fiel a zelar e, em geral, apuram os dados de maneira mais precisa e profissional que os veículos que não contém infraestrutura ampla e profissionalizada. Não estamos dizendo que veículos pequenos não descubram “furos jornalísticos” e notícias inéditas, ou que não consigam oferecer opinião abalizada, ou ainda que não possam apurar informações de maneira precisa. Apenas pedimos que vença o eventual preconceito contra os grandes veículos de comunicação.

Quando ver a próxima notícia, apelamos: leia além da manchete.

Imagem: mobile geeks.

Veja também

Seja o primeiro a comentar

Comente aqui