Cristianismo

Análise: Deleitando na Trindade, de M. Reeves

31 de janeiro de 2017

Leia em 3 minutos

Deleitando-se na Trindade, de Michael ReevesLi ano passado este excelente livro: Deleitando-se na Trindade. Recomendo. Aqui ofereço algumas poucas impressões dele.

Não se engane pelo subtítulo

O título traz “Deleitando-se na Trindade”, ao passo que o subtítulo (“Uma introdução à fé cristã”) pode nos induzir, como me induziu originalmente, a acreditar que se trata de uma versão introdutória e superficial sobre a doutrina da Trindade. Enganei-me. O livro é amplo e trata de diversos pontos.

Perceba também que o subtítulo é introdução “à fé cristã” e não “à Trindade”, o que implica dizer que o autor assevera, logo na capa, a conclusão a que ele pretende nos levar: estamos diante da mais básica das doutrinas do Cristianismo (por isso ela nos introduz à fé Cristã), sobre a qual todas as outras se erguem e sem a qual nenhuma outra se segura com firmeza.

Obviamente não é um livro exaustivo sobre o assunto (de fato, não creio que exista um assim – Aquele que nem o céu dos céus pode conter não seria descrito à perfeição em linhas humanas escritas), mas certamente é mais profundo que suas 148 páginas podem levar a crer.

O silogismo

Tentei organizar em forma de silogismo a argumentação do livro e cheguei ao seguinte:

  • Deus é amor porque é trino.
  • Ser cristão consiste em conhecer a Deus, todo o resto é acessório.
  • Deus é revelado na Escritura como Trindade.
  • Conhecer a Deus como revelado na Escritura edifica nosso caráter.
  • Somente somos capazes de contemplar a formosura do Senhor se nos aprofundarmos na Trindade.
  • Aprofundar-se na Trindade nos ajuda a discernir e combater heresias sobre a identidade de Deus.
  • Aprofundar-se na Trindade ajuda a não confundir o Deus da Bíblia com os muitos deuses ofertado em nossa sociedade.
  • Logo, conclui Reeves, a Trindade é a mais básica de todas as doutrinas, por meio da qual conhecemos a Deus e entendemos de maneira plena porque e como Ele é amor.

O autor, então, passará o livro inteiro apresentando evidências e provas que fundamentam cada uma dessas premissas. Por exemplo, ele evidencia que muitas das heresias que surgiram no seio do Cristianismo (e fora dele também) tem como característica comum partir de um conceito de Deus extra-bíblico e não-trinitariano (e.g. Pelagianismo, Gnosticismo, Arianismo, etc).

Achei bastante oportuno, particularmente, quando Reeves cita algumas analogias que as pessoas usam para explicar a Trindade: semelhante a um ovo, semelhante a um gigante de três cabeças, semelhante a um trevo, semelhante aos três estados da água, entre outras metáforas não-bíblicas e precárias. Ele então aponta:

“E ficamos imaginando por que o mundo zomba (…) Torna-se evidente que, se a Trindade for vista como uma monstruosidade estranha e fantástica, não é muito surpreendente a aparência irrelevante. Como o caráter oval de Deus poderia ser mais que uma curiosidade esquisita?”

Essas analogias, além de ridículas, não traduzem a verdade sobre essa doutrina básica.

O livro é bem fundamentado biblicamente.

Abaixo uma review feita pelo Dois Dedos de Teologia, por onde eu conheci o livro.

PS: Estamos de volta ao Blog – excepcionalmente esta publicação não está saindo num domingo.

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