Política

Análise: Mentiram para mim sobre o desarmamento

19 de março de 2017

Leia em 4 minutos

Capa de Mentiram para mim sobre o desarmamentoEscrito a quatro mãos por Flávio Quintela e Benedito Barbosa, este livro é leitura obrigatória para aqueles que pretendem se informar com dados técnicos e estatísticos sobre a questão do desarmamento.

“Nenhum homem livre deve ser impedido de usar armas” Thomas Jefferson.

 O livro é relativamente curto (176 páginas – é possível ler em uma ou duas tardes) mas não é superficial. Em linguagem acessível, sua leitura é leve porque, entre outras coisas, utiliza de um método dinâmico para tratar do assunto: cada capítulo é a desconstrução de uma “verdade” sobre o desarmamento da população civil.

O livro é dividido em 10 capítulos que desconstroem as seguintes mentiras: I) o governo quer desarmar as pessoas porque se preocupa com elas; II) as armas matam; III) países desarmados são mais seguros; IV) as armas dos criminosos vêm das mãos dos cidadãos de bem; V) as armas são produzidas apenas para matar; VI) as armas causam muitos acidentes caseiros e matam crianças; VII) as armas precisam ser controladas para facilitar a solução de crimes; VIII) o desarmamento tem diminuído a criminalidade no Brasil; IX) qualquer cidadão de bem pode comprar e possuir armas no Brasil; X) resumo dos 9 capítulos anteriores.

Há ainda dois apêndices. O primeiro trata do PNDH e sua característica ditatorial (e não é surpresa o sotaque esquerdista deste Plano Nacional de Direitos Humanos). O segundo aborda o desrespeito dos políticos brasileiros ao referendo de 2005, onde a população mostrou claramente que é contrária ao estatuto do desarmamento.

Dentre os capítulos, os que eu mais gostei – por julgar que desconstroem as mentiras mais relevantes – são o 1º e o 8º. No primeiro capítulo os autores argumentam e demonstram que o projeto de desarmamento da população civil, em qualquer lugar onde foi implementado, atendeu à vontade do governo de controlar socialmente sua população – particularmente gostei da menção feita a Constituição dos EUA que garante na sua 2ª emenda o direito da população de usar armas.

No oitavo os autores argumentam e demonstram com informações estatísticas e fornecidas pelo próprio lobby desarmamentista brasileiro que é uma falácia afirmar que o crime tem-se reduzido no Brasil em virtude do estatuto do desarmamento. Em verdade o que tem acontecido de 2003 para cá é justamente o oposto, uma elevação na quantidade absoluta e relativa da violência.

Uma crítica

Acredito, contudo, que há uma pequena falha no livro (que não compromete sua relevância e pertinência): o não-uso de estatística inferencial. O livro traz muitas e importantes estatísticas descritivas, mas senti falta de uma análise de regressão, por exemplo, que testasse relações de causa e efeito, ou ainda, dados mais claros da correlação entre posse e porte de armas e quantidade de crimes, coisa que tentamos fazer nesta postagem: Sobre o porte de armas de fogo por um civil.

Por fim, como dissemos, o livro é leitura obrigatória (e absolutamente necessária) para quem quer se informar sobre o assunto, além de trazer uma bibliografia suplementar para se aprofundar. Nestes tempos de achismos, é um acervo de informações e opiniões bem fundamentadas sobre um assunto mais que importante, essencial à nossa liberdade – o bem mais caro que temos.

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