Cristianismo

A carta aos gálatas – breves considerações

25 de junho de 2017

Leia em 4 minutos

gálatas 2.20A carta escrita pelo apóstolo Paulo ao gálatas possui importância peculiar para a igreja cristã por apresentar a salvação pela graça de Cristo e a justificação pela fé de maneira clara e determinante. Neste breve texto, gostaria de compartilhar algumas impressões.

Em primeiro lugar, é importante situar os destinatários e o tempo em que a carta foi escrita. A Galácia era uma região da Ásia Menor onde atualmente se localiza a Turquia. Provavelmente essa igreja foi plantada pelo apóstolo Paulo em sua primeira viagem missionária (At 13 e 14). A carta deve ter sido escrita entre os anos 47-48 d.C, após essa viagem e, muito provavelmente, antes do concílio da igreja em Jerusalém (At 15).

Visão Geral

Escrita num tom que mistura perplexidade com repreensão, a carta parece ter dois objetivos principais: defender o chamado de Paulo ao apostolado e esclarecer algumas questões da relação entre a Lei Judaica e a Fé em Cristo. Havia um grupo influenciando as igrejas da região que pretendia introduzir naquela comunidade gentílica práticas particulares do povo judeu e da religião judaica. Com este propósito, também estavam atacando o ministério paulino. Paulo parece surpreso de que os gálatas tenham se deixado influenciar por estes falsos mestres e usa palavras bastante duras afirmando que eles pregavam “outro evangelho” (Gl 1:6), que estavam tentando submeter os cristãos a um “jugo de escravidão” (5:1), que estariam se “[separando] de Cristo” e “[caindo] da graça” (5:4) caso voltassem a se submeter a Lei como instrumento de justificação.

Estrutura

Paulo divide a carta em praticamente três partes. Na primeira parte (Gl 1 e 2) ele faz uma defesa enfática do seu apostolado, mencionando inclusive Pedro, Tiago e João, não para validá-lo, mas para demonstrar que até mesmo essas “colunas” reconheceram que ele havia sido chamado pelo próprio Cristo. Sua autoridade não era “da parte de homens nem por meio de pessoa alguma, mas por Jesus Cristo e por Deus Pai” (Gl 1:1).

Na segunda parte (Gl 3 e 4) ele deixa claro que a graça e a fé em Cristo estão acima e são muito superiores à Lei dada no Sinai. Ele estabelece claramente, recorrendo a Abraão e usando a analogia de Sara e Hagar, que a aliança antiga “procede do monte Sinai e gera filhos para a escravidão” (Gl 4:24). A nova aliança, que na verdade é anterior à antiga, está fundamentada na fé no Messias (o “Descendente” – Gl 3:16, 19) e foi dada ao próprio Abraão “430 anos antes do Sinai” (Gl 3:17). É superior porquanto é “do alto” e é “livre” (Gl 4:26).

Na terceira parte (Gl 5 e 6), Paulo tem o cuidado em exortar a igreja a não confundir o viver na graça de Deus com a ausência de princípios e valores morais. Neste contexto é que ele cita aqueles que eu julgo serem os versículos-chave da carta: 5:22 e 23.

Mas o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. Contra essas coisas não há lei.
Gálatas 5:22,23

Na verdade, colocar-se sob a graça de Cristo é estar debaixo de uma ética muito superior à Lei do Sinai. É estar submetido a critérios e a uma responsabilidade muito acima daqueles defendidos pelos judaizantes que tentavam influenciar os crentes na Galácia.

Veja também

Seja o primeiro a comentar

Comente aqui