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Economia e meio-ambiente

20 de agosto de 2017

Leia em 4 minutos

Planeta TerraO termo economia vem dos termos gregos oikos (casa) e nomein (gerenciar). Etimologicamente, economia traz a ideia de “administração do lar”. Palavra semelhante é ecofilia (oikosphilos – amor), o amor pelo lar. Nesse sentido, decisões econômicas devem ter relação direta e alvo último as necessidades e o amor pelo lar, pela casa, pelas famílias. E o que o meio-ambiente tem a ver com isso?

A despeito de quaisquer esforços interplanetários empreendidos pelo homem, até o momento vida fora da Terra é matéria apenas de ficção. Portanto, enquanto Coruscant não é encontrada, nosso planeta é o único lar que conhecemos e que nos importa preservar. Entretanto, envoltos em tantas soluções globais, perdemos o foco em algum momento da caminhada. Explico!

Quais ações que de fato resolveram um problema do meio-ambiente partiram de ações globais coordenadas por governos? Ações locais são mais eficazes que ações globais. Decisões individuais tendem a surtir maior efeito que decisões de entidades supranacionais. Meia dúzia de burocratas não são mais inteligentes e criativos que os outros 7 bilhões de pessoas no planeta.

Quando as comunidades locais ganham mais poder, autoridade e responsabilidade os problemas ambientais que as atingem tendem a receber maior atenção e melhores soluções. Esse é um dos problemas do Brasil: a União é superpoderosa e os municípios recebem autoridade apenas acessória. Cenário diferente dos EUA, onde as comunidades locais (condados) influenciam e são influenciados mais fortemente pela população.

A criatividade e inventividade humanas tendem a produzir as soluções ambientais necessárias. Tomemos dois exemplos que hoje são globais e que começaram de maneira local: o petróleo e o carro. Muitos se surpreenderão de ver estes dois exemplos como soluções para o meio-ambiente.

O petróleo, o carro e o meio-ambiente

Graças ao petróleo, a matança de baleias diminuiu bruscamente. O querosene se tornou um substituto mais eficiente e economicamente viável que o óleo de baleia, usado até então para iluminação das residências (um filme recente que tangencia o assunto é No Coração do Mar). O carro permitiu a redução significativa da geração de dejetos equinos em grandes metrópoles, sendo Londres, o berço da Revolução Industrial, talvez a mais impactada de todas (Antes do carro, o caos das grandes cidades era o cavalo).

Nenhuma ordem global foi dada para que as famílias trocassem o óleo de baleia por querosene. Nenhum órgão supranacional mandou que as pessoas substituíssem seus cavalos por veículos automotores. Tampouco os inventores, empreendedores, investidores receberam ordens de uma entidade global para dispor de seu tempo, intelecto e dinheiro nesses mercados. Muitos outros exemplos poderiam ser dados.

Aqui também jaz uma constatação: a solução ambiental de ontem pode ser um problema para o meio-ambiente amanhã. Qual o impacto, por exemplo, do crescimento exponencial de parques eólicos sobre o fluxo migratório de algumas aves? Outras soluções poderiam trazer problemas, muitos dos quais ainda desconhecidos.

A Terra é o único lar que temos e amamos. Cuidar dele é, certamente, nosso desejo e, sobretudo, nossa obrigação. Os indivíduos e as comunidades locais são e serão, a meu ver, o nascedouro das soluções que precisamos.

Imagem: GEF

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