Cristianismo

Erros de cristãos ao conversar com céticos

3 de setembro de 2017

Leia em 6 minutos

céticoTem crescido nos últimos anos no Brasil (e já tomou conta da Europa) uma postura secularizada e descrente em relação a tudo o que é ou pareça ser cristão. Contudo, a impressão que se tem é que muitos de nossos irmãos em Cristo, mais do que não estar preparados para responder aos questionamentos dos céticos, acabam por tentar responder ou debater cometendo alguns erros que, com um pouco de leitura e bom senso, não deveriam ser cometidos.

Sem querer ser exaustivo, apresentamos aqui quatro erros comuns que cristãos comentem ao debater com os céticos:

1) Relativizar a ciência, como se ela competisse com a religião

Não poucos cristãos acham que há um conflito entre ciência e religião. Tentam-nos convencer da existência deste conflito alguns cientistas ateus. Em uma retórica envolvente, escondem que grandes personalidades do passado (Newton, por exemplo) e do presente (Francis Collins, outro exemplo) são cientistas do mais alto respeito internacional e que conseguem ter uma fé bíblica totalmente coerente com a boa prática da ciência.

Cristãos que compram esses discursos agem inadvertidamente e de maneira ingênua. Não há conflito entre ciência e religião. Elas são complementares e não mutuamente excludentes.

2) Afirmar que a filosofia é contra a religião

Outro erro comum é achar que a filosofia age contra a igreja. Há filósofos que tentam convencer os leigos (mais uma manobra de discurso) de que todo aquele que estuda filosofia irá romper com Cristo e a Bíblia. Isso não é verdade. A história está cheia de filósofos que foram e são religiosos. Para citar alguns: Agostinho, Tomás de Aquino, mais recentemente, R.C. Sproul, Norman Geisler e William Lane Craig.

O inverso também é verdadeiro, há céticos, mesmo alguns muito bem instruídos, que não receberam qualquer treino em filosofia ou lógica. Cometem erros argumentativos graves que, por vezes, somos tentados a achar que se não são ignorantes, agem de má-fé.

3) Afirmar que algumas teorias científicas são falsas sem conhecê-las bem

Alguns cristãos simplesmente enveredam em reproduzir discursos que são feitos por leigos ou líderes religiosos pouco familiarizados a teorias científicas que já romperam a barreira de hipóteses e estão bem consolidadas. Nós cristãos devemos buscar conhecer bem aquilo que pretendemos duvidar ou discordar. Somos chamados a uma fé racional (ver Romanos 12:1).

Não são poucas as ocasiões em que encontramos cristãos criticando o Darwinismo, mas quando arguidos para explicar porque e em que discordam de Darwin, eles simplesmente não sabem explicar sua própria convicção. Ignoram, por exemplo, que a seleção natural está muito bem consolidada no meio científico e que é, no mínimo, responsável pela variabilidade dentro de uma mesma espécie. De maneira geral vale a ilustração: não se comprovou cientificamente e sem sombra de dúvidas que uma ave possa surgir a partir de um réptil, mas que a mesma espécie de ave pode ter bicos diferentes dependendo do ambiente onde vive.

Outra teoria que é muito combatida (dos púlpitos) é o Big Bang. Cristãos não deveriam dizer que não crêem neste fato científico. Além de ser uma teoria bastante consistente com o que se observa no universo pela ciência da astronomia (busque informação sobre a “radiação de fundo” do universo), ela é uma confirmação esplêndida da existência de um Deus eterno (não confundir criação do universo com criação da Terra, ou ainda a criação da vida). Um Deus eterno, “fora do tempo”, cria matéria e o próprio tempo simultaneamente. Para mais detalhes recomendamos a leitura dos livros Em Guarda: defenda a fé cristã com razão e precisão, de William Lane Craig, e Não tenho fé suficiente para ser ateu, de Norman Geisler.

4) Afirmar que se alguém se converte não irá mais sofrer ou passar dificuldade

Esse é um dos maiores venenos atuais em algumas igrejas. Jargões como “fomos feitos para ser cabeça e não cauda”, distorcendo trechos bíblicos, são usados para enganar. Na Bíblia há inúmeras histórias (a de Jó é a mais emblemática) que mostram que pessoas boas passam por dificuldades.

Todos os apóstolos, à exceção de João, foram martirizados. Paulo, a Bíblia dá a entender, com o passar o tempo passou a sofrer de algum problema de saúde por conta da mensagem do evangelho.

Coisas ruins acontecem com cristãos bons e consagrados! Por que? Algumas coisas apenas o céu vai revelar, mas como cristãos bíblicos e ortodoxos confiamos em Sua sabedoria infinita e em Sua soberania eterna. Ele permite que algumas coisas aconteçam. Pode ser que algo ruim se revele bom, e percebamos o porquê ainda aqui nesta terra. Pode ser que outros eventos de nossas vidas apenas tenham seu propósito revelados quando estivermos diante da face do Pai Celeste.

Como cristãos, precisamos ter cuidado e preparo ao debater com quem não crê como nós, evitando erros como os acima.

“Estejam sempre preparados para responder a qualquer que lhes pedir a razão da esperança que há em vocês.” 1 Pedro 3:15

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