Cristianismo

A responsabilidade dos pastores – Lucas 12:35-48

28 de janeiro de 2018

Leia em 4 minutos

Jesus-washing-feet.jpg-956418“A quem muito foi dado, muito será pedido; e a quem muito foi confiado, ainda mais será exigido” Lucas 12:48b

O versículo acima é citado em diversos púlpitos de várias igrejas, às vezes em tom ameaçador, por pastores de diversas denominações religiosas. O sentido do sermão costuma seguir na direção de empurrar na mente dos fiéis a ideia de que, por serem cristãos, eles devem estar mais atentos que os “infiéis” acerca das responsabilidades que sobre eles repousam. Contudo, ainda que essa seja uma leitura possível e admissível, ela é incompleta. A parábola relatada por Jesus em Lucas 12:35-48 é, primeiramente, direcionada aos líderes da igreja – os mesmos pastores que do púlpito aplicam Lucas 12:48b à congregação.

Uma análise detida desta parábola será capaz de observar que ela se divide em duas partes: dos versos 35 a 40 temos a parábola propriamente dita. De 41 a 48 está registrada uma resposta de Jesus a uma pergunta de Pedro.

A parábola

A parábola (35-40) fala sobre a prontidão e o preparo dos servos que aguardam o retorno de seu Senhor. É claramente uma referência de Cristo a Sua segunda vinda. Seus servos são chamados a estar preparados, com as lâmpadas acesas, esperando seu Senhor que foi a uma festa de casamento. Se estes servos estiverem devidamente preparados, estarão prontos para abrir a porta quando seu Senhor chegar. A ressonância com a parábola das 10 virgens (Mateus 25:1-13) e a carta à igreja de Laodiceia (Apocalipse 3:20) é evidente.

Nesta primeira parte os personagens são o Senhor e os servos.

A resposta a Pedro

No verso 41 há uma aparente quebra na narrativa. Pedro pergunta: “Senhor, proferes esta parábola para nós ou também para todos?”. Em outras palavras, Pedro queria saber se Cristo aplicava a parábola apenas aos apóstolos ou a igreja como um todo. Em vez de Cristo afirmar, simplesmente: “Ora, Pedro! A todos, é lógico. Que ideia! É claro que todos estão sendo admoestados a estarem prontos para quando eu voltar.” Em vez disso, Cristo apresenta uma resposta mais complexa e sofisticada.

Se na primeira parte os personagens são os servos e o Senhor, na resposta a Pedro aparece uma terceira figura: o administrador da casa, o mordomo (grego: oikonomos). A atribuição deste servo em especial é “chefiar os demais servos da casa e alimentá-los” (Lucas 12:42, NVT). Aqui está a resposta a Pedro: a todos, mas a vocês, os “chefes”, em particular. Nos versos 45 e 46 Jesus adverte que se este mordomo achar que o seu Senhor está demorando a voltar e começar a maltratar aqueles servos que estão sob sua responsabilidade e a também negligenciar suas atribuições, quando o Senhor voltar, este administrador será castigado (no grego: cortado ao meio – o termo é forte assim mesmo) e receberá o mesmo destino dos incrédulos.

No excelente livro “Apóstolos”, o Rev. Augustus Nicodemus, na minha opinião, é bem sucedido ao demonstrar na Parte II (em especial nos capítulos 8 e 9) que os continuadores da obra dos apóstolos são os pastores e presbíteros. Consequentemente, a resposta dada a Pedro alcança os Apóstolos de Cristo de maneira direta, mas, para os dias de hoje, atinge de maneira especial aquele pastor do primeiro parágrafo deste texto – e todos os seus pares. Nos versos 47 e 48 Cristo avisa que servos instruídos e cientes de suas atribuições serão cobrados com mais rigor que aqueles que não foram instruídos. E quem é ou deveria ser mais ciente de suas atribuições na igreja que os pastores e anciãos/presbíteros?!

Minhas observações fazem sentido?

A paz de Cristo esteja conosco.

Imagem: Yourlisten

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