Cristianismo

Resenha: Apóstolos, de Augustus Nicodemus Lopes

10 de maio de 2018

Leia em 4 minutos

apostolos-verdade-biblica-sobre-o-apostolado-augustus-nicodemusApós três meses ausente em virtude de demandas offline (rs) estamos de volta ao blog apresentando abaixo uma breve resenha do livro “Apóstolos: a verdade bíblica sobre o apostolado”, de autoria de Augustus Nicodemus Lopes.

Publicado pela Editora Fiel, o livro é fruto da pesquisa do autor e, além de funcionar como uma exposição bíblica do tema, também trata daquilo que o Reverendo reputa como uma grande ameaça à igreja cristã: o Movimento de Restauração Apostólica. E de fato é.

O livro se divide em três partes. Na primeira há uma exposição bíblica no Novo Testamento (NT) do conceito de Apóstolo, fazendo referência, inclusive, a fatos históricos. A segunda parte marca a transição da argumentação do autor da Bíblia para a história. Nela, Augustus trata de casos particulares no NT, do porquê de esses casos não poderem ser considerados de apostolado no sentido dos doze e Paulo e já trata dos movimentos precursores da Restauração Apostólica. Na terceira parte o autor entra nos tempos modernos, no próprio movimento atual e como ele seespalhou da América do Norte para o mundo, em geral, e o Brasil, em particular.

O livro é bem referenciado. Outro título possível também poderia ser “Falsos Mestres e Falsos Profetas”. Contudo, o autor teve a intenção de focar no grupo “Apóstolo”, talvez por pensar nele como urgente, talvez por ter mais familiaridade, talvez por ter sido o foco de sua pesquisa. Ou quaisquer outros motivos.

Gostei particularmente da maneira lógica com que o livro foi organizado, bem como das curiosidades tratadas ao longo do livro. As “batalhas” desde os tempos dos apóstolos de Jesus Cristo com os gnósticos, a forma diferente como veem o ministério apostólico a Igreja Católica, a Igreja Anglicana e os reformadores, a ligação do renascimento periódico deste tipo de movimento com base em “revelações”, “profecias”, “sinais e prodígios” e misticismos de maneira geral. Eu jamais poderia supor que já nos tempos de Marcião haviam movimentos tentando usurpar o termo “apóstolo”.

Uma referência em particular me chamou a atenção: a influência que o Movimento de Restauração Apostólica de hoje recebeu do chamado “Movimento da Chuva Serôdia”. Esse movimento, segundo o autor, baseava-se em Joel 2:23. Nas palavras do autor, o movimento alegava:

São as últimas chuvas, que preparam e amadurecem os frutos, deixando-os prontos para a colheita. Nestes movimentos restauracionistas, a igreja da última geração (“chuva serôdia”) será restaurada a um poder maior do que no período apostólico inicial (“chuva temporã”), que vai amadurecê-la para o encontro com Cristo. […] Estas ideias parecem ter primeiro aparecido na igreja cristã, depois da Reforma, com uma mística do século XVII chamada Jane Leade, na Inglaterra, a qual profetizou que Deus haveria de levantar nos últimos dias uma igreja de elite, que superaria tudo o que se havia visto antes.”

Segundo a Wikipedia, Jane Leade viveu de 1624 a 1704, foi uma das fundadoras da Philadelphian Society, em Londres, e afirmava que aos 15 anos havia tido uma visão onde uma voz angélica lhe falou para abandonar a frivolidade e dedicar-se a assuntos espirituais.

Após ler o livro, o que fica é a impressão de que esses movimentos são cíclicos (nascem, morrem e nascem de novo). A igreja precisa sempre estar alerta.

Um livro que me passou também essa sensação e que recomendo é “O Caos Carismático“, de John MacArthur.

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